Exames diagnósticos para pacientes roncadores

Uma boa noite de sono depende de muitos fatores, um deles é uma boa respiração. Roncar todos os dias é um sinal de que pode haver algo errado com a respiração. As apneias ou hipopneias (quase apneias) obstrutivas significam paradas de respiração por fechamento total ou quase total da faringe. Quando ocorrem mais de 5 vezes por hora e prejudicam a qualidade do sono trazendo sonolência diurna e outros sintomas durante o dia, são consideradas doença. Para diagnosticarmos a Síndrome das apneias e hipopneias obstrutivas do sono (SAHOS) precisamos uma avaliação de um médico do sono onde ele pedirá, de acordo com seu caso, alguns exames complementares que serão descritos abaixo.

Polissonografia (tipo 1)

É um exame no qual o indivíduo dorme monitorizado e coleta os seguintes dados do sono: batimentos cardíacos, freqüência respiratória, número e tipo dos eventos respiratórios (apneias, hipopneias, esforço) saturação do oxigênio do sangue. Também monitora as ondas cerebrais para classificar as fases do sono (superficial, profunda). Assim sabemos a quantidade de horas dormidas e qualidade deste sono. A polissonografia não pode ser interpretada de modo isolado, pois ela representa uma fotografia/amostra de como é a noite daquela pessoa durante os outros dias, portanto deve se encaixar em um contexto clínico. Ela esta indicada para avaliação de qualquer distúrbio do sono, como insônias, parassonias, síndrome das pernas inquietas e SAHOS (1,2).

Polissonografia domiciliar (tipo3)

É a polissonografia feita em casa. Um técnico em polissonografia ensina ao paciente a montagem do aparelho e este pode realizar o exame no conforta da sua casa. Porém, por ser mais portátil, coleta apenas dados cardio-respiratórios. Indicada para diagnóstico de SAHOS quando há uma suspeita forte de que o paciente tem o distúrbio (relatos de apneias, roncos, sonolência diurna excessiva, percepção de um sono ruim). Caso o paciente tenha outros distúrbios do sono associados que necessitam investigação esta exame não é o ideal, pois não monitoriza ondas cerebrais.

Videoendoscopia da via aérea (videonasofribrolaringoscopia)

É um exame realizado pelo médico Otorrinolaringologista com visão indireta de toda a via aérea. Nele podemos visualizar toda a anatomia e identificar pontos críticos de obstrução que podem estar gerando o fechamento da via aérea durante o sono. O exame é realizado com o paciente acordado no consultório do médico. Não necessita nenhum preparo para realizá-lo, pode gerar um pouco de desconforto, o qual para alívio, usa-se anestesia local. Com uma fibra ótica flexível, introduzida no nariz do paciente, visualizamos as imagens em detalhes em um monitor de vídeo e podemos pedir que o paciente realize manobras para ver mobilidade da musculatura.

Sonoendoscopia induzida por droga

É o mesmo exame de videoendoscopia nasofaríngea com fibra ótica porém realizado com o paciente em sono induzido por anestésicos. Nele temos a simulação mais próxima da realidade da interação da anatomia do paciente com baixo tônus muscular e posição do corpo dormindo. Porém ,por ser realizado em ambiente cirúrgico e no Brasil ainda não ser aprovado pelos convênios, o exame ser torna de difícil execução na prática.

Exames radiológicos de imagem

Dependendo do caso podem ser necessários exames de imagem para melhor avaliação anatômica da região. Entre os exames solicitados estão tomografias de seios da face, ossos da face e/ou pescoço. Também em caso de indicação de cirurgia de avanço maxilo mandibular se faz necessário, para planejamento, exames de raio-X com medidas da face (cefalometria) e arcada dentária .

Bibliografia:

1. Medicine AA of S. The AASM Manual for the Scoring of Sleep and Associated Events V25.pdf. 2018.
2. Associação Brasileira do Sono. Diretrizes Clínicas para o Diagnóstico e Tratamento da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono no Adulto. 1 edição. HADDAD, Fernanda; BITTENCOURT L, editor. São Paulo; 2013.

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