Existe cirurgia para o ronco?

A resposta para essa pergunta é sim. Na verdade não existe uma cirurgia única para o ronco e sim uma diversidade de técnicas cirúrgicas para o tratamento da síndrome da apneia obstrutiva do sono (doença por de trás do ronco). Em uma revisão da literatura médica realizada em 2013 foram encontradas Vinte e nove modalidades cirúrgicas (1).

Entre as modalidades estão as cirurgias da faringe/amígdalas. A medicina nesta área vem estudando e evoluindo com erros e acertos desde a década de 70 quando foi descrita a primeira técnica de cirurgia da faringe. Nos primórdios, essas cirurgias começaram com muita manipulação do tecido central da faringe (úvula, no popular “sininho”) e a mucosa ao redor da úvula. Também eram feitas sem pré seleção dos pacientes, ou seja, naquela época qualquer um que quisesse fazer cirurgia para ronco era operado. O que se viu foi que somente 40% dos pacientes apresentavam melhora e uma parcela destes que melhoravam, após um ano voltavam a piorar. Além de ser uma cirurgia que causava muito efeitos adversos como dificuldade de deglutição importante.

Desde então muito evoluímos e aprendemos. Hoje as técnicas têm a tendência de manipular mais as paredes laterais da faringe modificando a maneira como a musculatura se contrai/fecha e preservando a mucosa, tecidos que envolvem a faringe(2). Também aprendemos a selecionar qual é o paciente ideal, com potencial para o verdadeiro sucesso cirúrgico. E quem são eles? Em geral são pacientes jovens, baixo peso, com amígdalas grandes e abertura bucal boa. Esse perfil tem cerca de 80% de chance de sucesso com a cirurgia de faringe (3).

Entre as outras cirurgias, que podem ser feitas para melhora das apneias, ou como tratamento combinados coadjuvantes, estão as cirurgias de avanço maxilo-mandibular, cirurgias da base da língua, cirurgia da epiglote, cirurgias nasais e até mais recentemente Cirurgia robótica transoral (TORS)(4). Quando os procedimentos são combinados, ou seja operamos mais de um lugar (chamada abordagem multinível), as chances de sucesso também aumentam.

Bibliografia:

  1. Camacho M, Certal V, Capasso R. Comprehensive review of surgeries for obstructive sleep apnea syndrome. 2013;79(6):780–8.
  2. Pang KP, Oto F, Orl F. Lateral pharyngoplasty in the treatment of obstructive sleep apnea. 2006;226–9.
  3. Aguiar T, Louise F, Haddad M, Ferreira R, Cabral P, Claudia M, et al. New clinical staging for pharyngeal surgery in obstructive sleep apnea patients ଝ , ଝଝ. Braz J Otorhinolaryngol [Internet]. 2014;80(6):490–6. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2014.09.003
  4. Approach S, Vicini C, Ho PT, Montevecchi F. TransOral Robotic Surgery for Obstructive Sleep Apnea. Vicini C, Ho PT, Montevecchi F, editors. Switzerland: © Springer International Publishing; 2016.
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