Aparelho intra-oral: mais uma opção no tratamento do Ronco

O aparelho intra-oral, assim como qualquer outro tratamento para a síndrome da apneia e hipopnéia do sono, é prescrito pelo médico do sono. O aparelho intra-oral é um dispositivo personalizado feito e ajustado por um dentista com treinamento e experiência em Odontologia do Sono. Ele traciona a mandíbula do paciente para frente trazendo consigo todos os tecidos moles da base da língua e parta da faringe criando assim um espaço e tônus nesta região. Esta indicado principalmente para pacientes com ronco sem apneias e pacientes com apneia leve ou moderada que tenham como principal sítio anatômico de obstrução a região onde ele atua. Também pode ser usando em doentes com apneia grave como segunda opção ao CPAP ou associado com outras abordagens, por exemplo, cirurgia, emagrecimento e terapia postural (dormir de lado)(1,2).

A correta indicação é imprescindível para o sucesso do tratamento. Alguns perfis de paciente não terão boa resposta, por isso é preciso avaliar caso a caso. Para essa avaliação levamos em conta fatores anatômicos, clínicos e polissonográficos. Nos fatores anatômicos, tentamos identificar se o ponto crítico de obstrução é realmente onde o aparelho atua, na base da língua. Para isso realizamos videoendoscopia da via aérea com visualização indireta da faringe(3). Também é necessário verificar padrões de mordida e face, número de dentes na boca (necessários para ancorar o dispositivo) se o paciente esta realizando algum tratamento dentário no momento. Os parâmetros clínicos levam em conta a gravidade dos sintomas da apneia: sonolência diurna, perda memória, dificuldade de concentração, baixo rendimento escolar/trabalho e cansaço(1). Idade, peso, doenças e claro, as preferências pessoais do tratamento são muito importantes também. Na Polissonografia avaliamos a gravidade da Síndrome, dessaturações e se há piora da obstrução quando paciente dorme de barriga para cima – componente postural. Este é um indicador indireto de que a base da língua (orofaringe) esta envolvida na gênese na apneia(4,5).

Mesmo com toda essa avaliação as chances de falha giram em torno de 20%, por quê? Porque sabemos que a obstrução da faringe ocorre em multinível e algumas vezes existem 2 pontos importantes no tubo faríngeo que trancam com o relaxamento do sono. Nestes casos se faz necessário adicionar mais alguma intervenção, por exemplo, fonoterapia para tonificar os músculos faríngeos ou algum procedimento cirúrgico. Tudo muito personalizado e selecionado de acordo com o perfil e a doença do paciente.

Bibliografia

1. Associação Brasileira do Sono. Diretrizes Clínicas para o Diagnóstico e Tratamento da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono no Adulto. 1 edição. HADDAD, Fernanda; BITTENCOURT L, editor. São Paulo; 2013.

2. Marklund M. Update on Oral Appliance Therapy for OSA. 2017;

3. Gregório MG, Jacomelli M, Figueiredo AC, Cahali MB. Evaluation of airway obstruction by nasopharyngoscopy: comparison of the Müller maneuver versus induced sleep. Braz J Otorhinolaryngol [Internet]. 2007;73(5):618–22. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/S1808-8694(15)30121-X

4. Vena D, Azarbarzin A, Marques M, Beeck S Op De, Vanderveken OM, Edwards BA, et al. Original Article Predicting sleep apnea responses to oral appliance therapy using polysomnographic airflow. 2020;(February):1–11.

5. Ferguson KA, Cartwright R, Rogers R, Schmidt-nowara W. Oral Appliances for Snoring and Obstructive Sleep Apnea : A Review.

 

 

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