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Pólipos nasais: o que preciso saber sobre eles?

Por: Publicado em 04/07/2020

O médico pediu sua tomografia de seios da face e apareceram pólipos nasais, e agora?

Calma, não há motivo para pânico, afinal os pólipos nasais são um motivo bastante frequente de consultas nos consultórios de otorrinolaringologia. Enquanto pólipos nos intestinos, na bexiga ou útero levantam suspeita de um tumor maligno, os pólipos nasais raramente estão relacionados ao câncer. É mais comum que eles se apresentem em pessoas com asma, rinite ou sinusites de repetição. Os sintomas podem variar, dependendo da localização e tamanho das lesões dentro do nariz. Pólipos pequenos podem ser assintomáticos. Quando os pólipos ocupam várias regiões das cavidades nasais e paranasais, a doença recebe o nome de polipose nasal.

Quais são os principais sintomas dos pólipos?

  • Obstrução nasal (nariz entupido)
  • Espirros
  • Gotejamento pós-nasal
  • Secreção nasal
  • Dores na cabeça e na face
  • Diminuição do olfato e paladar
  • Sinusites de repetição

Quais são as principais causas dos pólipos?

Pólipos nasais são bem mais comuns após os 40 anos de idade, embora eles possam ocorrer mais cedo. Nas raras vezes em que aparecem em crianças, é importante investigar a possibilidade de fibrose cística. Bem mais comum é a relação da polipose nasal com a rinite alérgica, asma, alergia à aspirina, e sinusites. No passado era comum considerar que alergias eram a causa de todos casos. Atualmente há muita discussão sobre o assunto e parece mais correto dizer que os pólipos tendem a se formar em ambientes nasais cronicamente inflamados, seja qual for a causa da inflamação.

Como saber se tenho pólipo nasal?

Os sintomas descritos acima podem levantar a suspeita de polipose, mas o diagnóstico é realizado na consulta com o otorrinolaringologista. Quadros muito extensos e que se desenvolveram durante anos, podem formar pólipos facilmente visíveis no exame clínico com a luz frontal. Entretanto, o mais comum é que o pólipo possa ser observado através do exame de Videonasolaringoscopia (rígida ou flexível). Trata-se de um exame simples e realizado em consultório, rápido e indolor.

A aparência dos pólipos é a de uma bolsa ou um abaulamento amarelado ou bege (parece uma uva sem casca), de consistência amolecida. Algumas vezes, seu aspecto pode ser diferente, gerando dúvida no examinados quanto a natureza da lesão (pólipo ou tumor no nariz). Nesses casos, uma biópsia pode ser necessária.

A tomografia computadorizada dos seios da face é usada para avaliar a extensão dos pólipos dentro das cavidades nasais e paranasais. Sua avaliação minuciosa também é importante para a estudar a anatomia e programar abordagem cirúrgica, quando essa for indicada.

Qual o Tratamento dos pólipos nasais?

Os medicamentos mais utilizados são os corticosteroides, tanto por via oral quanto pulverizados diretamente no nariz através de um spray. Uma parte dos pacientes apresenta excelente resposta com esses corticoides tópicos (falamos mais sobre eles aqui – texto novidades em tratamento de rinite). Sua propriedade de “encolher” os pólipos pode controlar a doença clinicamente em diversos casos, sem necessidade de cirurgia. As formulações modernas fazem efeito quase que exclusivamente no nível local, com baixo risco de efeitos colaterais. Devido a soma de sua eficacia e segurança, eles se tornaram o “padrão ouro” no tratamento clínico dos pólipos nasais.

Antibióticos e antialérgicos também podem ser empregados em pessoas que também apresentam quadros de sinusites e rinite alérgica.

O uso livre de solução fisiológica nasal ajuda a manter as cavidades nasais limpas e desobstruídas.

Para uma parte dos pacientes não é possível o controle clínico da polipose nasal. Nesses casos podemos indicar a cirurgia, hoje realizada pela via endoscópica (que foi detalhada em outro texto, para ler mais, clique aqui). Usando um instrumental específico para a dimensão estreita das fossas nasais e assistido por fibras óticas com um sistema de imagem em alta definição, o cirurgião pode “entrar” na cavidade nasal com muita precisão. Trata-se da cirurgia endoscópica funcional das cavidades paranasais (em inglês, FESS).

Apesar de ser uma doença de etiologia complexa, o tratamento é perfeitamente possível fazendo com que o paciente tenha uma vida praticamente normal.