Uso abusivo de descongestionantes nasais

Descongestionantes nasais são medicações vendidas livremente nas farmácias. Os nomes comerciais são muitos, mas os componentes da fórmula variam entre nafazolina, fenoxazolina e oximetazolina. Elas agem fazendo uma vasoconstrição intensa da mucosa nasal o que resulta em sua retração e abertura quase imediata da narina com sensação de melhora na passagem do ar. Um efeito quase mágico para alguns pacientes que sofrem com obstrução nasal crônica, independente da causa desta. Porém essas gotinhas escondem alguns perigos. A nutrição das células da mucosa nasal é feita por pequenos vasos sanguíneos.  Ao usar o descongestionante nasal esses vasos se contraem gerando uma isquemia (falta de oxigênio) à mucosa por horas, quando o efeito passa, o que ocorre é o chamado efeito rebote. O nariz “incha por dentro” e a obstrução nasal passa a ficar pior do que antes do uso da medicação. Usar algumas vezes esta medicação não causa danos, pois o organismo se recupera. O problema esta quando esse processo é repetido constantemente ao longo de meses, até anos. Ocasiona um vício, fazendo com que o organismo precise cada vez mais de uma quantidade maior do remédio para ter o mesmo resultado. O que acontece é um tipo de rinite (inflamação do nariz) causada pelo medicamento, que passa a ser então a causa secundária da obstrução nasal.

Outros perigos são as consequências sistêmicas (para o corpo) do abuso desta medicação. Ela pode causar ou intensificar a hipertensão arterial sistêmica, doença muito bem conhecida como fator de risco para infartos e AVCs entre outras.  Também pode causar agitação psicomotora, insônia e taquicardia, precipitando outras arritmias cardíacas.

São muitas as causas de obstrução nasal. É fundamental descobrir qual a causa que levou o paciente a fazer o abuso da medicação e assim indicar o tratamento correto o problema, pois os descongestionantes são apenas paliativos que não deve ser usando por mais de 3 dias seguidos. O tratamento da rinite medicamentosa ocasionada pelo vício é feito com medicações orais e tópicas prescritas pelo otorrinolaringologista.

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