Saiba como o CPAP funciona, um aparelho considerado uma das melhores opções para pessoas que sofrem com apneia do sono.
Ter um bom sono não é apenas sobre passar várias horas na cama. Para quem tem apneia obstrutiva do sono, as pausas na respiração acontecem diversas vezes durante a noite, e isso acaba prejudicando a qualidade do sono e causando sintomas como ronco, cansaço e sonolência durante o dia.
Uma das principais opções para tratar a apneia obstrutiva do sono é o CPAP (sigla em inglês para pressão positiva contínua nas vias aéreas), aparelho que utiliza uma pressão contínua de ar para manter as vias respiratórias abertas enquanto a pessoa dorme.
Esse tipo de terapia é recomendada por diretrizes internacionais, sendo capaz de melhorar bastante a qualidade do sono e suavizar os sintomas da doença.
O que é o CPAP?
CPAP é a sigla para “Continuous Positive Airway Pressure”, ou pressão positiva contínua nas vias aéreas. Na prática, o aparelho (uma máscara conectada a uma mangueira) envia um fluxo de ar por meio de uma máscara, ajudando a impedir que a garganta se feche durante o sono.
Isso é importante porque, na apneia obstrutiva do sono, a passagem de ar pode sofrer obstruções repetidas enquanto a pessoa dorme. Como resultado, ocorrem pequenas interrupções da respiração, que podem deixar o sono fragmentado, mesmo quando o paciente nem percebe que está acordando.
O CPAP não funciona como um medicamento e não “força” a respiração; ele cria uma espécie de pressão de sustentação nas vias aéreas, ajudando a mantê-las abertas durante a noite.
Segundo investigações da American Academy of Sleep Medicine (AASM), a terapia com pressão positiva é recomendada para adultos com apneia obstrutiva do sono, principalmente quando existe sonolência excessiva, alteração da qualidade de vida ou determinadas condições associadas, como hipertensão.
Quando o CPAP é indicado?
Em geral, o CPAP é uma das principais opções para pessoas com apneia do sono moderada ou grave, mas também é considerado em alguns casos leves, dependendo dos sintomas e características de cada paciente.
Um ponto importante é que o diagnóstico da apneia deve ser confirmado por um exame objetivo do sono, como a polissonografia ou, em situações selecionadas, um teste domiciliar para apneia. Só depois dessa avaliação é possível definir a melhor estratégia de tratamento.
Não existe uma regra de que todo mundo que ronca precisa usar CPAP. O ronco pode ter diferentes causas e nem sempre significa que existe apneia.
O ideal é investigar os sintomas antes de começar qualquer tratamento.
Como é usar o CPAP pela primeira vez?
É normal estranhar o CPAP nos primeiros dias. Afinal, dormir usando uma máscara conectada a uma mangueira não faz parte da rotina da maioria das pessoas. A adaptação exige um pouco de paciência. Uma dica é começar a se familiarizar com a máscara durante o dia, por alguns minutos, mesmo antes de dormir. Ajustar corretamente as tiras e encontrar uma posição confortável também vai colaborar bastante com a adaptação.
Outro ponto importante é a escolha da máscara, que precisa ficar bem ajustada, mas não deve apertar demais. Vazamentos de ar, desconforto ou sensação de sufocamento devem ser comunicados ao profissional que acompanha o tratamento.
A AASM recomenda fortemente educação e acompanhamento no início da terapia, pois dificuldades nas primeiras semanas são capazes de influenciar a continuidade do tratamento.
Como funciona o CPAP?
O CPAP trabalha como um equipamento que produz um fluxo de ar que passa pela mangueira e chega até a máscara. Ao entrar pelas vias respiratórias, esse ar exerce uma pressão que ajuda a evitar o fechamento da garganta. Com as vias aéreas abertas, a tendência é que ocorram menos episódios de obstrução durante o sono. Isso pode diminuir despertares, ronco e até sonolência durante o dia, além de melhorar a qualidade do descanso.
A pressão utilizada não é escolhida por conta própria: esse ajuste precisa considerar o diagnóstico, o exame do sono, os sintomas e a resposta de cada paciente ao tratamento, logo, essa decisão é feita por um médico.
Componentes do aparelho
Entenda a composição do CPAP:
Máscara é a parte que fica em contato com o rosto e conduz o ar até o nariz, ou até o nariz e a boca, isso depende do modelo. Existem diferentes formatos, então a escolha leva em conta conforto, anatomia e necessidade de cada pessoa.
Uma máscara inadequada é capaz de causar vazamentos, marcas no rosto, ressecamento ou dificuldade para dormir.
Conforto e vedação são fundamentais para uma boa adaptação.
A mangueira conecta a máscara ao equipamento gerador de ar. Ela permite que o fluxo produzido pelo aparelho chegue até o paciente durante o sono, inclusive é importante evitar dobras ou obstruções na mangueira.
Alguns equipamentos também podem utilizar mangueiras aquecidas, que ajudam a reduzir problemas relacionados ao ar frio ou ao ressecamento.
O outro componente é o equipamento gerador de ar, que produz o fluxo de ar utilizado durante o tratamento. Dependendo do modelo, ele pode oferecer diferentes recursos, como ajuste automático de pressão, umidificação e monitoramento do uso.
O aparelho deve ser configurado de acordo com a orientação do profissional responsável. Alterar a pressão por conta própria não é recomendado.
Quais são os tipos de máscara para CPAP?
São diferentes modelos de máscara para CPAP, e não tem uma opção que seja perfeita para todo mundo. A escolha depende principalmente do padrão respiratório, formato do rosto, preferência pessoal e necessidade de cada paciente.
A adaptação também pode mudar com o tempo. Uma máscara confortável hoje pode deixar de ser a melhor opção depois de algum período, principalmente se houver vazamentos, desconforto ou alterações no padrão de respiração.
A máscara nasal cobre apenas o nariz e costuma ser uma das opções mais utilizadas. Tende a ser mais confortável para quem respira totalmente pelo nariz durante o sono. Por outro lado, pessoas que respiram frequentemente pela boca podem apresentar vazamento de ar e dificuldade de adaptação. Normalmente, nesses casos, o médico avalia outras opções.
Já as máscaras de almofadas nasais, chamadas de máscaras Pillow, utilizam pequenas almofadas que ficam posicionadas na entrada das narinas. Elas costumam ter uma estrutura mais compacta e deixam uma parte maior do rosto livre.
Esse modelo é mais interessante para quem se sente incomodado com máscaras maiores.
A máscara facial (oronasal) cobre nariz e boca, podendo ser indicada para pessoas que respiram pela boca durante o sono ou que apresentam dificuldades para manter a respiração exclusivamente nasal.
Assim como nos outros modelos, o ajuste precisa ser adequado. Apertar demais a máscara não significa necessariamente melhorar a vedação e aumenta o desconforto.
CPAP, APAP e BiPAP: quais são as diferenças?
Apesar de todos fazerem parte da terapia com pressão positiva, CPAP, APAP e BiPAP não são exatamente a mesma coisa. O CPAP tradicional trabalha com uma pressão contínua definida para o tratamento. O APAP, por outro lado, consegue ajustar automaticamente a pressão de acordo com a necessidade detectada pelo equipamento. Já o BiPAP, também chamado de BPAP, trabalha com dois níveis de pressão, um para a inspiração e outro para a expiração.
Segundo a AASM, CPAP e APAP são opções recomendadas para o tratamento contínuo da apneia obstrutiva do sono em adultos. O BiPAP pode ser necessário em situações específicas, mas não é a opção de rotina para todos os pacientes.
Quais são os benefícios do uso do CPAP?
O trabalho do CPAP tem como objetivo evitar a obstrução das vias aéreas durante o sono. Quando o tratamento funciona adequadamente, o paciente apresenta menos episódios de apneia e uma melhora considerável na qualidade do sono. Além disso, ocorrem melhorias em sintomas como sonolência excessiva durante o dia, cansaço, ronco e despertares noturnos.
Outro ponto é a qualidade de vida. A apneia não tratada afeta disposição, concentração, produtividade e bem-estar. Ou seja, tratar adequadamente o problema vai muito além de simplesmente parar de roncar.
Quais são os principais efeitos colaterais e como evitá-los?
De início, alguns pacientes apresentam nariz ou boca secos, irritação nasal, congestão, sensação de desconforto com a máscara e vazamento de ar. Esses problemas não significam que o tratamento precisa ser interrompido.
Ajustar a máscara, revisar a pressão, avaliar outro modelo de máscara e utilizar umidificação, quando indicada, são algumas estratégias que podem melhorar a adaptação.
Como limpar e fazer a manutenção do CPAP?
A higienização é parte importante da rotina de quem utiliza CPAP. Máscara, mangueira, reservatório de água e demais componentes precisam receber os cuidados recomendados pelo fabricante, uma vez que a limpeza ajuda a evitar acúmulo de sujeira e resíduos, além de contribuir para a conservação dos componentes. A frequência e o método de limpeza podem variar de acordo com o aparelho e seus acessórios.
Também é importante verificar regularmente se existem rachaduras, desgaste, vazamentos ou alterações na máscara e na mangueira. Peças desgastadas comprometem o conforto e o funcionamento adequado da terapia.
Perguntas frequentes
Trouxemos para o conteúdo dúvidas recorrentes que chegam à Rinoclínica:
CPAP acaba com o ronco?
Em muitos pacientes com apneia do sono, o CPAP reduz bastante ou até elimina o ronco ao manter as vias aéreas abertas durante o sono. Porém, isso depende da causa do ronco e da resposta de cada pessoa ao tratamento.
É importante lembrar que ronco e apneia não são sinônimos. Uma pessoa pode roncar sem ter apneia e, nesse caso, o tratamento precisa ser definido de acordo com a causa do problema.
Por quanto tempo é necessário usar o CPAP por noite?
O ideal é utilizar o CPAP durante todo o período em que a pessoa estiver dormindo, inclusive em cochilos. Afinal, as obstruções podem acontecer sempre que o paciente entra em determinadas fases do sono. Mais importante do que pensar em um número isolado de horas é manter uma utilização consistente e adequada.
Quanto tempo dura um aparelho de CPAP?
Esse tempo de duração varia bastante conforme o modelo, frequência de utilização, conservação e manutenção. O equipamento pode durar vários anos quando recebe os cuidados adequados. Já itens como máscara, mangueira e outros acessórios podem precisar de substituição antes do aparelho principal, principalmente quando apresentam desgaste, perda de vedação ou sinais de deterioração.
Quanto custa um CPAP?
O preço de um CPAP é variado, normalmente cobrado conforme a marca, o modelo e quantidade e qualidade de recursos disponíveis. Equipamentos mais simples costumam ter preços diferentes de modelos automáticos ou com tecnologias adicionais.
Sendo assim, não é interessante escolher apenas pelo preço: o mais importante é utilizar um equipamento adequado à prescrição e às necessidades do paciente.
É possível dormir de lado usando CPAP?
É perfeitamente possível dormir de lado usando CPAP. Inclusive, algumas pessoas preferem essa posição porque ela pode ser mais confortável e, em determinados casos, ajudar a reduzir episódios de obstrução. A escolha da máscara também influencia bastante. Modelos mais compactos podem facilitar a movimentação durante a noite, principalmente para quem muda bastante de posição enquanto dorme.
O CPAP cura a apneia do sono?
O CPAP controla a obstrução enquanto está sendo utilizado, mas não significa necessariamente que a apneia seja definitivamente curada. A apneia obstrutiva do sono é considerada uma condição crônica que pode continuar existindo quando o aparelho não está sendo usado.
Há situações em que mudanças importantes no peso ou determinados tratamentos cirúrgicos modificam ou até eliminam a necessidade de CPAP. Por isso, qualquer decisão de interromper a terapia deve ser feita com acompanhamento médico e, quando necessário, com nova avaliação do sono.
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Fontes:

